Uma estratégia ofensiva para se atingir resultados: perguntar o que você não está fazendo

A falta de resultados nem sempre é respondida pela pergunta “o que estou fazendo errado?”. Ela é mais respondida pela pergunta “o que não estou fazendo, mas deveria?”.

Quando eu entrei para a faculdade de publicidade e propaganda, aos 16 anos, uma professora pediu para que eu fizesse uma redação sobre o que esperar do curso.

Lembro de ter escrito uma besteira enorme. Parte por conta da minha mente egocêntrica na época, parte por conta da falta de conhecimento (e boa parte por falta de noção), escrevi que não esperava nada da faculdade, a não ser o diploma, pois eu já era boa o suficiente. Ô bichinha enganada.

Alguns meses depois, consegui um emprego em minha primeira agência de publicidade e comecei a entender que eu ainda tinha uma longa estrada pela frente se quisesse ser reconhecida por minha criatividade. Lembro da primeira vez em que meu diretor de criação me disse sobre eu saber muito de softwares, mas ser bem ruim em layout. Foi um dos comentários que mais me ensinaram sobre humildade.

Se eu quisesse ser realmente uma boa profissional, eu deveria partir para o ataque, não ficar só na defensiva.

 

A diferença entre aprender ofensiva/passivamente

Esta é a ilusão básica que sustenta a miséria no mundo: a ideia de que somos carentes e precisamos receber algo de fora.

– Sri Prem Baba

As pessoas geralmente fazem só o que se pede.

Preencha esse relatório? Tá bem. Envie um email para Dudu? Envio, sim. Faça uma campanha de acordo com esse briefing? Aham.

Isso é agir de modo passivo. Os outros pedem, a gente faz. Enquanto podíamos fazer o relatório pensando em novos modelos, de acordo com o que seria útil ou não ao público, apenas reagimos ao que cai em nossa mesa. Isso também acontece com os emails, com os briefings: são produtos da reação ao que é solicitado por alguém, que também reagiu ao que foi pedido por alguém, e assim por diante.

Partir para a ofensiva, por outro lado, significa questionar. Será que este relatório faz sentido? Este email tem qual objetivo? Quais informações faltam nesse briefing que podem me ajudar a realizar um trabalho fora do comum? O que posso fazer para melhorar esse processo?

Temos medo de criar soluções de verdade, muito menos porque elas são realmente amedrontadoras, muito mais porque elas são trabalhosas.

Ativando o estado ofensivo, no sentido de buscar entender como fazer melhor todas as coisas, você chega à camada da descoberta. Você já se perguntou como as pessoas são tão criativas? Já se perguntou como elas chegam a resultados que ninguém tinha chegado, antes? Elas responderam às perguntas difíceis e foram pelos caminhos obscuros, enquanto os outros decidiam ficar no mundo fofinho da reação ao que foi pedido.

Pergunte-se, sempre: o que você não está fazendo?

 

Na escola, aprendemos só o que é certo ou errado. Não buscamos criar a partir disso.

Cal Newport nos diz para não ficarmos obcecados em descobrir nosso propósito. Ao contrário, devemos ficar bons em habilidades raras e valiosas.

Já sabemos que o sistema escolar é falho – sei que há motivos, que vão desde a precariedade das condições de ensino, pausando na falta de atualização dos professores e, claro, dando uma grande olhada para a corrupção.

Aqui, entretanto, vamos falar da educação em si, conforme pensada pelos países desde os tempos de Napoleão. Ou seja, não vamos falar do sistema brasileiro, mas do sistema universal de educação.

Como aprendemos na escola

O problema não são essas primeiras etapas. O que foi descoberto já é fera para cacete! O problema é que as escolas não vão adiante.

 

O que mais falta nesse sistema?

Falta a continuação: o uso do que foi ensinado.

O aluno aprende a fórmula, mas não aprende o que fazer com ela.

Em pouco tempo, ele se esquece do que aprendeu e, quando chegar uma situação na vida em que ele poderia utilizar aquele conhecimento, o aluno já o perdeu há muito tempo – com isso, não há evolução. E isso é uma droga, porque as teorias e fórmulas erradas ficam estagnadas por mais tempo do que deviam.

 

Consequências para o mundo real

Tá, mas o que a pergunta “O que você não está fazendo” tem relacionada com esse problema da educação?

A relação é que levamos esse modelo – de respostas objetivas – para a vida real. É por isso que quando um chefe pede um documento o funcionário padrão irá apenas apresentar o que foi pedido: na escola, aprendemos a entregar o que foi pedido, e ponto final.

Em outras palavras, não somos preparados para ser realmente bons e criativos no mundo real. Os poucos que conseguem aprender sozinhos a agir (no lugar de reagir), então, criam as tais habilidades raras e valiosas.

Quem será conseguirá ser o profissional ou empreendedor diferenciado no futuro? O que age passiva ou ativamente?

Sendo assim, da próxima vez que você precisar fazer uma planilha em Excel, que faça a melhor planilha em Excel do mundo. Se precisar fazer uma tradução, que sua pesquisa seja verdadeiramente abrangente. Se precisar plantar uma semente, que você busque saber tudo sobre solos e irrigação – e que você tente novos caminhos, longe das fórmulas prontas. Aja como se a empresa fosse sua. Como se cada centavo gasto contigo saísse do seu próprio bolso.

Você só terá tudo a ganhar, caso tenha foco em tudo o que fizer – no trabalho, nos estudos, na vida. Você não estará fazendo isso pela empresa, mas sim por você mesmo, por sua aprendizagem e por seu desenvolvimento profissional.

E lembre-se de se perguntar, sempre: o que você não está fazendo?

Tentar responder a essa pergunta nos comentários (como um exercício) pode te dar uma boa ideia de por onde caminhar.

Um abraço,

Carol.

 

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